Clínica Chadu

Ginecologia e obstetrícia

Dúvidas de ginecologia e obstetrícia

Da primeira consulta ao climatério, passando pela gestação — as perguntas que a mulher costuma levar para o consultório.

Respostas escritas por Dr. Marcelo Neves Chadu — CRM-GO 9605, RQE 6520 (Ginecologia e Obstetrícia), da Clínica Chadu, em Itumbiara (GO).

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Ginecologia e obstetrícia

Consulta e prevenção

Com que idade devo ir ao ginecologista pela primeira vez?

A recomendação da Febrasgo é que a primeira consulta aconteça na adolescência, por volta dos 13 aos 15 anos — ou antes, se houver queixa: cólica intensa, menstruação muito irregular, ausência de menstruação, corrimento persistente ou dúvidas sobre o próprio corpo.

Essa primeira consulta costuma ser uma conversa. Não envolve necessariamente exame ginecológico, principalmente em adolescentes que ainda não iniciaram a vida sexual. Serve para orientar sobre ciclo menstrual, vacinação contra HPV, contracepção quando for o caso e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.

A adolescente tem direito a atendimento e a sigilo. A presença de um responsável é possível e frequente, mas parte da consulta pode ser feita a sós, se ela preferir.

Preciso ter iniciado a vida sexual para consultar?

Não. Boa parte das razões para consultar não tem relação com atividade sexual: irregularidade menstrual, cólica incapacitante, acne e pelos em excesso, planejamento de vacinação, dúvidas sobre desenvolvimento puberal.

O exame ginecológico não é obrigatório em toda consulta, e o rastreamento do câncer de colo do útero não é indicado para quem nunca teve atividade sexual, porque o HPV se transmite por contato sexual.

Se em algum momento o exame for necessário, ele é explicado antes, feito com instrumentos adequados ao caso e pode ser interrompido a qualquer momento a seu pedido.

De quanto em quanto tempo devo fazer o preventivo?

Essa resposta mudou recentemente e vale entender por quê. Em 2025 o Ministério da Saúde publicou novas diretrizes que colocam o teste molecular de DNA-HPV como exame primário de rastreamento, no lugar da citologia isolada — o "preventivo" tradicional.

No novo modelo, o rastreamento é indicado para mulheres de 25 a 64 anos, e quando o teste de HPV é negativo o intervalo até o próximo passa a ser de cinco anos. Se o teste for positivo, a citologia entra como triagem e pode-se indicar colposcopia. Não há indicação de rastrear antes dos 25 anos.

Na prática, a transição está em curso: o teste de DNA-HPV começou a ser implantado no SUS de forma escalonada, e nem toda região já o tem disponível. Onde ainda se usa a citologia como rastreamento, mantém-se o esquema anterior — dois exames anuais e, sendo ambos normais, repetição a cada três anos, dos 25 aos 64.

CONFERIR com o Dr. Marcelo: qual esquema ele adota hoje no consultório e se o teste de DNA-HPV já está disponível para as pacientes da clínica (SUS local, Unimed, laboratório particular). Ajustar o último parágrafo conforme a resposta.

Tomei a vacina do HPV. Ainda preciso fazer o preventivo?

Sim. A vacina protege contra os tipos de HPV responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo do útero, mas não contra todos. O rastreamento continua indicado para as mulheres vacinadas, dentro da mesma faixa etária.

Vacina e rastreamento atuam em momentos diferentes: a vacina impede a infecção; o rastreamento identifica lesões em quem já se infectou. As duas estratégias se somam — nenhuma substitui a outra.

O que a vacinação em larga escala tende a mudar, com o tempo, é a frequência necessária do rastreamento em populações amplamente vacinadas. Essa mudança acontece por diretriz, não por decisão individual.

Quem pode tomar a vacina contra o HPV?

No calendário do SUS, a vacina é oferecida a meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única no esquema atual. Há ampliação para grupos específicos: pessoas vivendo com HIV, transplantados, pacientes oncológicos e vítimas de violência sexual, em faixas etárias mais amplas e com esquema próprio.

Fora dessas faixas, a vacina está disponível na rede privada, e pode ser discutida individualmente com o médico. O benefício é maior quanto mais cedo, antes do início da vida sexual — mas não é nulo depois.

Vacinar meninos importa: eles transmitem o vírus e também adoecem por ele, com câncer de pênis, de ânus e de orofaringe.

O que é colposcopia e quando ela é indicada?

É o exame que avalia o colo do útero com um aparelho de aumento, o colposcópio, após a aplicação de soluções que evidenciam áreas alteradas. Permite identificar lesões que não se veem a olho nu e dirigir a biópsia para o ponto certo.

Não é exame de rotina. É indicado quando o rastreamento vem alterado — teste de HPV positivo para os tipos de maior risco, ou citologia com alterações — e em algumas situações de sangramento ou de colo com aspecto suspeito ao exame clínico.

É feito no consultório, dura poucos minutos e o desconforto é semelhante ao de um exame ginecológico comum. Se houver biópsia, pode haver cólica leve e pequeno sangramento por alguns dias.

CONFERIR com o Dr. Marcelo: ele realiza colposcopia no consultório da clínica? Se sim, acrescentar essa informação aqui e na página de especialidades.

Meu preventivo veio alterado. Significa câncer?

Na enorme maioria das vezes, não. A finalidade do rastreamento é justamente encontrar alterações antes de virarem câncer — e a maior parte do que se encontra são lesões de baixo grau, que regridem sozinhas em boa parte das mulheres, ou inflamações sem relação com câncer.

O que o resultado alterado significa é que há uma etapa seguinte de avaliação: repetir o exame em intervalo definido, complementar com colposcopia ou fazer biópsia, conforme o tipo de alteração encontrada.

O erro que custa caro não é o resultado alterado — é não voltar para a consulta de resultado. Marque o retorno e leve o laudo.

Com que idade devo começar a fazer mamografia?

O Ministério da Saúde recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos. Sociedades de especialidade, entre elas a Febrasgo e o Colégio Brasileiro de Radiologia, recomendam iniciar aos 40 anos, com periodicidade anual.

A divergência é real e tem fundamento nos dois lados: rastrear mais cedo detecta mais casos, mas também produz mais exames falso-positivos e biópsias desnecessárias. Vale conversar sobre isso na consulta, com a sua história pessoal na mesa.

Com história familiar relevante — mãe, irmã ou filha com câncer de mama, especialmente antes da menopausa — ou mutação genética conhecida, o rastreamento começa mais cedo e pode incluir ressonância. Essa avaliação é individual.

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Ciclo menstrual e dor

Cólica muito forte é normal?

Cólica leve a moderada nos primeiros dias da menstruação é comum. O que não é normal — e é frequentemente naturalizado por anos — é a cólica que impede atividades: faltar ao trabalho ou à escola, precisar ficar deitada, não melhorar com analgésico comum.

Sinais que apontam para uma causa a investigar: dor que piorou progressivamente ao longo dos anos, dor que começa dias antes da menstruação, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar ou urinar no período menstrual, e infertilidade.

Esses sintomas em conjunto levantam a suspeita de endometriose — que leva, em média, vários anos até ser diagnosticada, em grande parte porque a dor foi tratada como algo que "toda mulher sente".

Como se diagnostica endometriose?

Começa pela história clínica bem colhida, que é o instrumento mais sensível: características da dor, relação com o ciclo, dor à relação, sintomas intestinais e urinários no período menstrual, dificuldade para engravidar.

Segue com o exame ginecológico e com imagem. O ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética de pelve, quando realizados por profissional com experiência específica, identificam boa parte das lesões profundas. Não existe exame de sangue que faça o diagnóstico.

Exame de imagem normal não exclui endometriose — lesões superficiais podem não aparecer. Por isso o tratamento pode ser iniciado com base no quadro clínico, sem esperar confirmação cirúrgica.

O tratamento vai de analgesia e bloqueio hormonal do ciclo até a cirurgia, dependendo da gravidade, do desejo de engravidar e da resposta ao que já foi tentado.

Estou sangrando fora do período menstrual. Devo me preocupar?

Sangramento fora do período menstrual merece avaliação, e a causa varia bastante conforme a idade. Em mulheres jovens, as razões mais comuns são hormonais — adaptação a anticoncepcional, esquecimento de pílula, ovulação, alterações da tireoide. Também podem ser pólipos, miomas ou infecções.

Duas situações pedem avaliação sem demora: sangramento após a relação sexual e qualquer sangramento após a menopausa. Nenhuma das duas deve ser observada por meses.

Ajuda muito chegar à consulta com um registro dos últimos ciclos: datas, duração, intensidade e quando ocorreram os episódios fora de época. Aplicativo de acompanhamento menstrual serve bem para isso.

Minha menstruação é muito intensa. Isso tem tratamento?

Tem. E antes disso: sangramento intenso tem definição prática — precisar trocar absorvente a cada uma ou duas horas, eliminar coágulos grandes, menstruar por mais de sete dias, ou sangrar a ponto de limitar a rotina.

As causas incluem miomas, pólipos, adenomiose, alterações hormonais, distúrbios de coagulação e uso de DIU de cobre. A investigação costuma envolver exame de sangue com dosagem de ferro e ferritina, avaliação da tireoide e ultrassom transvaginal.

Uma consequência que passa despercebida é a anemia por deficiência de ferro, com cansaço, queda de cabelo e falta de ar aos esforços atribuídos a outras coisas. Vale dosar ferritina.

O tratamento vai de medicações que reduzem o sangramento e DIU hormonal até procedimentos, conforme a causa e o desejo de engravidar.

O que é síndrome dos ovários policísticos?

É uma alteração hormonal comum, caracterizada por ciclos irregulares ou ausentes, sinais de excesso de hormônios masculinos — acne, pelos em excesso, queda de cabelo — e, em parte das mulheres, ovários com aspecto policístico ao ultrassom.

Um ponto que confunde: ter cistos no ovário no ultrassom não é sinônimo de SOP. O diagnóstico exige a combinação de critérios, e o ultrassom sozinho não o estabelece.

A síndrome se associa a resistência à insulina, alterações do colesterol e maior risco de diabetes tipo 2 ao longo da vida — por isso o acompanhamento vai além do ciclo menstrual.

O tratamento é individualizado conforme o objetivo: regularizar ciclos, controlar acne e pelos, ou engravidar. Mudança de estilo de vida tem efeito consistente sobre todos esses desfechos.

Corrimento: quando é normal e quando preocupa?

Uma secreção vaginal clara ou esbranquiçada, sem odor forte e sem coceira, é fisiológica e varia ao longo do ciclo — fica mais abundante e elástica próximo à ovulação. Não precisa de tratamento nem de ducha.

Merece avaliação o corrimento com odor forte, cor amarelada, esverdeada ou acinzentada, ou acompanhado de coceira, ardência, dor ao urinar, dor pélvica ou sangramento.

Uma advertência prática: tratar por conta própria com creme de farmácia, a cada episódio, mascara o diagnóstico. Candidíase, vaginose bacteriana e tricomoníase têm tratamentos diferentes, e usar o errado prolonga o problema.

Tenho candidíase toda hora. O que fazer?

Candidíase de repetição é definida como quatro ou mais episódios confirmados em um ano. Nesse cenário, o tratamento pontual de cada crise não basta — é preciso confirmar o diagnóstico com exame, e não pelo sintoma, e investigar fatores que favorecem a recorrência.

Entre eles: diabetes não diagnosticado ou mal controlado, uso frequente de antibióticos, imunossupressão, e às vezes espécies de fungo menos comuns, que não respondem ao tratamento habitual.

O manejo costuma envolver um esquema de indução seguido de tratamento de manutenção por vários meses. Ducha vaginal e sabonetes íntimos perfumados atrapalham — alteram a flora que protege.

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Contracepção e saúde reprodutiva

Qual anticoncepcional é o melhor para mim?

Não existe um melhor para todas. A escolha considera se você deseja engravidar nos próximos anos, se tem enxaqueca com aura, pressão alta, histórico de trombose, se fuma, sua idade, se amamenta, e o quanto a rotina de tomar um comprimido no mesmo horário funciona para você.

As opções vão de pílulas combinadas e de progestagênio isolado a injetáveis, adesivo, anel vaginal, implante subdérmico e DIU — de cobre ou hormonal. A eficácia na vida real varia muito entre eles, e os métodos de longa duração, que não dependem de lembrar todo dia, são os mais eficazes.

Algumas contraindicações são absolutas e importa conhecê-las: pílula combinada não é indicada para quem tem enxaqueca com aura, histórico de trombose ou fuma acima dos 35 anos.

Nenhum desses métodos protege contra infecções sexualmente transmissíveis. Para isso, preservativo.

Tomar anticoncepcional por muitos anos faz mal?

Para a maioria das mulheres sem contraindicação, o uso prolongado é seguro e não exige pausas periódicas — a antiga recomendação de "dar um descanso ao corpo" não tem respaldo e só aumenta a chance de gravidez não planejada.

Há riscos reais e quantificados: aumento pequeno do risco de trombose com os combinados, maior em fumantes e após os 35 anos. E há benefícios além da contracepção — redução do risco de câncer de ovário e de endométrio, menos cólica e menos sangramento.

O uso prolongado não causa infertilidade. O retorno da fertilidade é rápido na maioria dos métodos, com exceção do injetável trimestral, cujo efeito pode demorar alguns meses a passar.

O que importa é reavaliar de tempos em tempos: o método que servia aos 25 pode não ser o melhor aos 40.

DIU dói para colocar? Quem pode usar?

A inserção é feita em consultório e dura poucos minutos. O desconforto varia: muitas mulheres relatam uma cólica forte e breve no momento da passagem pelo colo. Existem estratégias para reduzir a dor, e elas devem ser discutidas antes — o assunto foi por muito tempo minimizado e hoje é levado a sério.

DIU pode ser usado por mulheres que nunca engravidaram, por adolescentes e por quem amamenta. Não causa infertilidade e não aumenta o risco de infecção pélvica além do momento da inserção.

As diferenças práticas: o de cobre não tem hormônio, dura até dez anos e costuma tornar a menstruação mais intensa e mais cólica. O hormonal reduz muito o sangramento — parte das usuárias para de menstruar — e é usado também para tratar sangramento intenso, endometriose e adenomiose.

CONFERIR com o Dr. Marcelo: ele realiza inserção de DIU no consultório? Quais tipos? Acrescentar aqui e na página de especialidades.

Tenho mioma. Vou precisar operar?

Miomas são tumores benignos do útero, muito frequentes, e a maioria não causa sintoma nenhum. Mioma pequeno, assintomático, descoberto em ultrassom de rotina, em geral só é acompanhado.

O tratamento entra em cena quando há sintoma: sangramento intenso, anemia, dor, pressão sobre bexiga ou intestino, aumento do volume abdominal, ou impacto sobre fertilidade — e aí depende do tamanho, do número e, principalmente, da localização dos miomas.

Nem todo tratamento é cirúrgico. Existem opções medicamentosas para controlar o sangramento, o DIU hormonal em situações selecionadas, e procedimentos como a embolização. Entre as cirurgias, há desde a retirada apenas dos miomas até a histerectomia, decisão que leva em conta o desejo de engravidar.

Miomas tendem a reduzir após a menopausa. Crescimento rápido, sobretudo depois dessa fase, é situação que exige avaliação específica.

Encontraram um cisto no meu ovário. É perigoso?

Na maior parte das vezes, não. Cistos funcionais fazem parte do funcionamento normal do ovário: aparecem a cada ciclo e desaparecem sozinhos em algumas semanas. São achados comuns em ultrassons de mulheres em idade reprodutiva.

O que se avalia no laudo são as características: tamanho, se o conteúdo é líquido puro, se há septos, partes sólidas ou fluxo sanguíneo interno. Esses detalhes definem a conduta muito mais do que a palavra "cisto".

Cisto após a menopausa, cistos grandes, com componente sólido, ou associados a sintomas persistentes exigem avaliação mais detalhada, que pode incluir repetição do exame em intervalo definido, marcadores tumorais ou ressonância.

Dor pélvica intensa e súbita, com náusea e vômito, é situação de emergência — pode indicar torção ou ruptura, e requer pronto-socorro.

Quero engravidar. Quando devo procurar o médico?

Idealmente antes de engravidar. A consulta pré-concepcional permite ajustar o que precisa ser ajustado enquanto ainda há tempo: iniciar ácido fólico, atualizar vacinas, revisar medicações incompatíveis com a gestação, controlar pressão, diabetes e tireoide, e verificar sorologias.

O ácido fólico merece destaque: ele reduz o risco de defeitos do tubo neural, e esse efeito depende de já estar em uso pelo menos um mês antes da concepção. Começar quando o teste dá positivo é tarde para essa finalidade.

Sobre dificuldade para engravidar, a referência usual é investigar após doze meses de tentativas sem sucesso, ou após seis meses se a mulher tem 35 anos ou mais. Antes disso, se houver ciclos muito irregulares, endometriose conhecida ou cirurgia pélvica prévia.

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Gestação e pré-natal

Quando devo marcar a primeira consulta de pré-natal?

Assim que a gravidez for confirmada — o ideal é iniciar ainda no primeiro trimestre, de preferência antes das 12 semanas. É nesse período que se define a idade gestacional com precisão, se pesquisam condições que mudam a conduta e se corrigem hábitos e medicações.

Leve à primeira consulta: data da última menstruação, exames já realizados, o teste de gravidez, lista de medicamentos em uso, carteira de vacinação e informações sobre gestações anteriores, incluindo tipo de parto e intercorrências.

Se você já toma alguma medicação contínua, não a suspenda por conta própria ao descobrir a gravidez. Algumas precisam ser trocadas, outras mantidas — e interromper sem orientação pode ser pior do que continuar.

Quantas consultas de pré-natal são necessárias?

O mínimo preconizado é de seis consultas, mas o esquema recomendado pela Febrasgo é mais frequente: consultas mensais até cerca de 28 semanas, quinzenais entre 28 e 36 semanas, e semanais a partir daí até o parto.

Gestações com condições associadas — hipertensão, diabetes, gemelaridade, idade materna avançada, intercorrências prévias — exigem acompanhamento mais próximo, com consultas e exames adicionais.

A regularidade importa mais do que o número. Boa parte das complicações da gestação é identificável precocemente em consultas de rotina, quando a pressão, o peso e os exames vêm sendo acompanhados em sequência.

Quais exames são feitos no pré-natal?

No primeiro trimestre, o conjunto habitual inclui tipagem sanguínea e fator Rh, hemograma, glicemia, sorologias para sífilis, HIV, hepatites B e C, toxoplasmose e rubéola, exame de urina com urocultura, e avaliação da tireoide conforme o caso.

Ao longo da gestação, repetem-se sorologias, faz-se o rastreamento de diabetes gestacional entre 24 e 28 semanas, e no terceiro trimestre a pesquisa de estreptococo do grupo B.

As vacinas fazem parte do pré-natal: dTpa a cada gestação, a partir de 20 semanas, para proteger o recém-nascido contra coqueluche; influenza; e hepatite B quando não houver esquema completo.

Quantos ultrassons são feitos durante a gravidez?

Em gestação sem intercorrências, costumam ser realizados três exames principais: um no primeiro trimestre, entre 11 e 14 semanas, que data a gestação com maior precisão e avalia a translucência nucal; a morfológica do segundo trimestre, entre 20 e 24 semanas, que examina a anatomia fetal; e um exame no terceiro trimestre para avaliar crescimento, líquido e posição.

Exames adicionais são solicitados quando há indicação clínica — não como rotina. Ultrassom não é um exame que se faça por segurança emocional; cada um tem uma pergunta a responder.

Vale distinguir o exame com finalidade diagnóstica do ultrassom emocional em 3D oferecido comercialmente. São coisas diferentes, e só o primeiro faz parte do pré-natal.

Que sintomas na gravidez exigem atendimento imediato?

Procure atendimento de urgência, em qualquer fase da gestação, diante de:

  • sangramento vaginal;
  • perda de líquido pela vagina;
  • dor abdominal intensa ou contrações regulares antes do termo;
  • dor de cabeça forte e persistente, visão embaçada, pontos luminosos ou dor no estômago alto — podem indicar pré-eclâmpsia;
  • inchaço súbito de rosto e mãos;
  • febre;
  • redução ou ausência dos movimentos do bebê depois de já os perceber regularmente;
  • ardência ao urinar com febre ou dor lombar.

Nenhum desses itens é exagero de gestante. Todos são motivos legítimos de avaliação imediata, e é sempre preferível ser avaliada e liberada do que esperar para ver.

Posso continuar trabalhando e me exercitando na gravidez?

Em gestação de baixo risco, atividade física regular é recomendada e traz benefícios documentados: menos diabetes gestacional, melhor controle do ganho de peso, menos dor lombar e melhor sono. Caminhada, natação, hidroginástica e musculação com carga adequada são bem tolerados.

Evitam-se esportes com risco de queda ou trauma abdominal, mergulho e exercício em calor extremo. Interrompa e procure avaliação se houver sangramento, contrações, perda de líquido, tontura ou falta de ar desproporcional.

Quanto ao trabalho, a maioria das gestantes segue normalmente. Atividades com exposição a agentes químicos, radiação, esforço físico intenso ou longas jornadas em pé merecem avaliação individual, e existem previsões legais de adaptação de função.

A clínica acompanha o parto?

CONFERIR com o Dr. Marcelo — informação essencial e hoje ausente do site: ele acompanha o parto das pacientes do pré-natal? Em qual hospital? Como funciona o plantão/disponibilidade e o que a gestante deve fazer quando entrar em trabalho de parto? Esta é uma das primeiras perguntas de quem escolhe um obstetra, e a resposta influencia diretamente a decisão. Se ele não acompanha partos, é melhor dizer isso com clareza do que deixar em aberto.

Enquanto não houver resposta, esta pergunta não aparece no site publicado — o bloco é removido automaticamente.

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Climatério e menopausa

Quais são os primeiros sinais da menopausa?

O climatério é a transição, e costuma começar anos antes da última menstruação. O primeiro sinal geralmente é a irregularidade dos ciclos: intervalos que encurtam ou alongam, fluxo que muda de intensidade.

Depois vêm, em graus variados, os fogachos e suores noturnos, alterações do sono, oscilação de humor, dificuldade de concentração, ressecamento vaginal e desconforto na relação sexual, além de mudanças na distribuição de gordura corporal.

A menopausa em si é um diagnóstico retrospectivo: confirma-se após doze meses sem menstruar. A idade média no Brasil fica em torno dos 50 anos.

Nem todo sintoma dessa fase é da menopausa. Alterações da tireoide, anemia e depressão produzem quadros parecidos e merecem ser afastadas.

Reposição hormonal: devo fazer?

A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores — fogachos e suores — e para os sintomas geniturinários do climatério. Também tem efeito protetor sobre a massa óssea.

O entendimento atual, revisto depois de anos de interpretação excessivamente restritiva dos estudos dos anos 2000, é que o balanço entre benefício e risco é favorável para a maioria das mulheres sintomáticas com menos de 60 anos ou dentro de dez anos da menopausa, desde que não haja contraindicação.

Contraindicações incluem câncer de mama, doença hepática ativa, sangramento uterino não investigado, histórico de trombose e doença coronariana. A via de administração e o tipo de hormônio influenciam o risco — a via transdérmica, por exemplo, tem menor efeito sobre coagulação.

Existem alternativas não hormonais eficazes para quem não pode ou não deseja fazer terapia hormonal. A decisão é individual e deve ser reavaliada periodicamente, não tomada uma vez para sempre.

Ressecamento e dor na relação depois da menopausa têm tratamento?

Têm, e é um dos sintomas que mais responde bem ao tratamento — mas também um dos que menos chegam à consulta, porque muitas mulheres presumem que se trata de algo inevitável da idade.

A queda de estrogênio afina e resseca o tecido vaginal e da uretra, causando desconforto, dor na relação, ardência e infecções urinárias de repetição. É a chamada síndrome geniturinária da menopausa, e ela tende a piorar com o tempo se não for tratada.

As opções vão de hidratantes e lubrificantes vaginais a estrogênio de uso local, em creme ou comprimido vaginal — que tem absorção sistêmica mínima e pode ser usado por muitas mulheres que não fazem terapia hormonal sistêmica.

Vale trazer o assunto na consulta. Não é queixa menor, e afeta diretamente a qualidade de vida.

Preciso continuar indo ao ginecologista depois da menopausa?

Sim. O acompanhamento continua, com foco parcialmente diferente: rastreamento do câncer de colo do útero até os 64 anos conforme as diretrizes, rastreamento de câncer de mama, avaliação da saúde óssea com densitometria a partir dos 65 anos ou antes na presença de fatores de risco, e atenção ao perfil cardiovascular.

O risco cardiovascular merece destaque: doença cardiovascular é a principal causa de morte entre mulheres, e o risco aumenta após a menopausa. Pressão, colesterol, glicemia e circunferência abdominal fazem parte da consulta ginecológica nessa fase.

E vale repetir: qualquer sangramento após a menopausa precisa ser investigado, mesmo que discreto e único.

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